domingo, 3 de janeiro de 2010

Ao estranho de nome conhecido.

Tantas mãos e uma falta assim feito buraco fundo que me engole de volta aos olhos verdes cheios de infinito. O suor da pele vem se misturar ao cheiro que ficou na memória tanto suor e o sexo rijo que se confunde com o olhar fixo que diz as palavras esquecidas pela mente interrompidas na garganta.
Um estranho velho conhecido que queria esmagar com caricias a carne lânguida entregue a tantos dedos que queriam e entravam sem pressa sem hesitação nos cantos de prazer eterno e eternizavam não só o prazer, mas as verdades do prazer. E arrasta sem culpa numa ausência de olhos pretos que se confundem aos outros olhos e se cansam de olhar pra dentro e vem buscar cá fora num corpo desprovido de abstrato repleto de vontades de se afundar em tantos olhos que não dizem, não sentem, engolem aos poucos tanta sensação do infinito.
Ao estranho P que não é um nome, não é uma palavra de tão abstrato é um momento que eterniza na memória que sente ausência de tanta presença.

Palavra

Quando a boca treme, os lábios balbuciam a palavra que não vem. Palavra interrompida na mente, não permitida pelo medo da negação interna... Eterna negação.
Auto negligencia.
Como tumor corrosivo, feito ferrugem alaranjada, a palavra cresce, obstrui nobres sentimentos e destrói aos poucos um resto sentido de esperança.
A palavra negra.
Colorida
Transparente, tão nublada.
A palavra rouca que é só um cochicho.
A palavra que não é palavra é um estado sem definição.
Que escapole amor.
Amor que escapole entre tantas palavras que não é amor.
E seria amor? A palavra?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Muro

Muro

tive um estranho encontro
com um pedaço de muro
me dizia ser um outro
que tão abstrato se fez duro

um pedaço frio que não fazia
juz ao nome, não protegia
do lado de lá conseguia ver
a sobra que não pude conhecer

também estranho era o resto
que consciente ignorei
com medo do que é oculto
atrás do muro etanquei.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Do sentir

Ah!, que não resisto e me entrego lânguida a necessidade que me toma de provar todos os gostos das gentes, da cidade asfalto, crianças e cachorros, rostos pretos, gotas de suor, roupa colorida.
E com todos, tantos dedos, todos os membros dedos necessários, utensílios de sentir mais umas sensações desconhecidas que me extasiam, derretendo minha mente deixando apenas o gosto agridoce do sentir.
Lambendo os pelos e as peles, sentindo no dente a textura da carne....
Dentro, nos olhos, a imagem da chuva que cai derretida, as nuvens se movendo com quem brinca de ciranda,os galhos, tantos galhos e folhas dançando com a música do vento...
Inicia dentro, no coração, a sensação do infinito!

sábado, 24 de outubro de 2009

Era

Havia despojado de umas palavras agudas como se os dias fossem pesados e os segundos tivessem alguma espera. Continuou um silencie eterno até os momentos de caos inevitável que se decompunham na mesa de xadrez com as peças postas. Silencio cansado corrompendo a espera de um estado hermético.
Criou dedos a mais. Saliências necessárias para a antiga sensação de matéria que retomava com espasmos gradativos, palavra perdida num vácuo permitido pelo tempo. Atingiu a esfera abstrata da mente com intenções esquecidas que dissiparam na entrada.
Sempre as horas medidas calculadas, interferindo no espaço limitado tentativa de infinito.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Sem.

E agora João? Depois que o feijão acaba e a barriga geme. E agora é tanta quanta palavra. Tudo torto e sem jeito. O sapo não sabia se pulava ou ficava dentro do rio, o jacaré comeu o sapo. Ouviu uma palma lá no fundo, pensou ser aplauso. Tanta palavra torta descabida. Eu os amo, ninguém tem culpa, uma carta de despedida. Trinta e sete vezes tentadas e um espasmo como resposta. O sapo no aquário não pode pular. Começou com uns movimentos contidos, balançando as mãos e braços, depois a cabeça, aos poucos o corpo todo tremia já desabitado de alma ou consciência. Tanto céu preste mundo ingrato. Mas continuou andando viril como quem se acostuma com a fome. Um pedacinho de esperança despencada lá de cima junto com a chuvinha lenta. Tinha também um olho na testa? Maria continuava calada como fosse muda. Os bichos ficaram eufóricos, sem razão aparente quebraram as grades, os cientistas pesquisam. Todos têm moradia graças ao novo plano de governo. Mexe o bigode às vezes, mesmo quando ele não coça só pra fazer algo com as mãos. Mas continuou andando e ainda sentiu o cheiro das flores no caminho, quanta pretensão, pensou. Morava num castelo enorme, todos as cores de flores no jardim e uma fonte de água fresca e abundante onde se refrescava nos dias quentes. Abstratos sonhos que se quebram feito matéria. Morava na fonte do jardim o jacaré. Sentiu alívio quando soltou dos dedos as horas. Por que insistia João? Tanta espera e o suor frio a pingar-lhe do rosto sem pressa. Continuou esperando. Meio mole, morno. O vácuo rompido pelo grito sussurro do Agora. Cansados os meninos pararam para beber e não havia água. Faz silencio um pedacinho maior daquela espera. Mas continuou andando...

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

D'água

Pingo, pingo, pingo...
Deixo as gotas escorrerem languidas pelo queixo, pela boca, dos olhos, pingos de água sal, da janela pinga chuva fria, amarga, tão fria e calma.
Deixo ir escorrendo pelo asfalto tantas gotas que já são um rio. Lavando do asfalto toda poeira seca, sujos pedacinhos de humano.
Vai levando também meu corpo, se dissolvendo como pingos caindo e se espatifando sem se desfazer, só dissolvendo. Vai dissolvendo minha carne, derretendo meus ossos, desfazendo a matéria, deixando apenas a essência de água que se funde e se mistura aos pingos, ficando uma coisa só. Vai descendo rua abaixo feita enxurrada minha essência branquinha, transparente de água do céu.
E vai pingando, pingando minha essência escorrendo...
Pingo, pingo, pingo...