segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Sem.
E agora João? Depois que o feijão acaba e a barriga geme. E agora é tanta quanta palavra. Tudo torto e sem jeito. O sapo não sabia se pulava ou ficava dentro do rio, o jacaré comeu o sapo. Ouviu uma palma lá no fundo, pensou ser aplauso. Tanta palavra torta descabida. Eu os amo, ninguém tem culpa, uma carta de despedida. Trinta e sete vezes tentadas e um espasmo como resposta. O sapo no aquário não pode pular. Começou com uns movimentos contidos, balançando as mãos e braços, depois a cabeça, aos poucos o corpo todo tremia já desabitado de alma ou consciência. Tanto céu preste mundo ingrato. Mas continuou andando viril como quem se acostuma com a fome. Um pedacinho de esperança despencada lá de cima junto com a chuvinha lenta. Tinha também um olho na testa? Maria continuava calada como fosse muda. Os bichos ficaram eufóricos, sem razão aparente quebraram as grades, os cientistas pesquisam. Todos têm moradia graças ao novo plano de governo. Mexe o bigode às vezes, mesmo quando ele não coça só pra fazer algo com as mãos. Mas continuou andando e ainda sentiu o cheiro das flores no caminho, quanta pretensão, pensou. Morava num castelo enorme, todos as cores de flores no jardim e uma fonte de água fresca e abundante onde se refrescava nos dias quentes. Abstratos sonhos que se quebram feito matéria. Morava na fonte do jardim o jacaré. Sentiu alívio quando soltou dos dedos as horas. Por que insistia João? Tanta espera e o suor frio a pingar-lhe do rosto sem pressa. Continuou esperando. Meio mole, morno. O vácuo rompido pelo grito sussurro do Agora. Cansados os meninos pararam para beber e não havia água. Faz silencio um pedacinho maior daquela espera. Mas continuou andando...
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