quinta-feira, 15 de outubro de 2009

D'água

Pingo, pingo, pingo...
Deixo as gotas escorrerem languidas pelo queixo, pela boca, dos olhos, pingos de água sal, da janela pinga chuva fria, amarga, tão fria e calma.
Deixo ir escorrendo pelo asfalto tantas gotas que já são um rio. Lavando do asfalto toda poeira seca, sujos pedacinhos de humano.
Vai levando também meu corpo, se dissolvendo como pingos caindo e se espatifando sem se desfazer, só dissolvendo. Vai dissolvendo minha carne, derretendo meus ossos, desfazendo a matéria, deixando apenas a essência de água que se funde e se mistura aos pingos, ficando uma coisa só. Vai descendo rua abaixo feita enxurrada minha essência branquinha, transparente de água do céu.
E vai pingando, pingando minha essência escorrendo...
Pingo, pingo, pingo...

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