sexta-feira, 30 de setembro de 2011

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Não ha maior ego do que o daquele que se julga acima dos outros por ter domado o ego. Ao dominar o ego, ao buscar a trascendência e negar o mundo, ele comete o maior EGO de todos: Achar que não tem ego, e que está além do mundo em que vive
(Osho)

domingo, 21 de agosto de 2011

Se me permite a tristeza...


Se me permite um breve momento em que possa chorar sem culpa pelas mazelas mal resolvidas.
Quando todos os sorrisos parecem ferir, qualquer pedaço de alegria parece não ter o menor sentido, a respiração é um sôfrego suspiro que tenta suspender eternamente a respiração.
Se é que posso desejar não ser por um instante apenas... Que esse instante parece infinito e obscurece a menor e frágil centelha de luz.
Quando eu puder mergulhar sem reprimendas nessa angustia intensa que me expõe todos os demônios até então acomodados no submundo da alma. Vejo-os olho no olho e permito que me encham de medo e suguem toda esperança.
Quando eu finalmente puder chegar no limite do sofrimento, encontrar-me suspensa por um fio capaz de acabar com essa única dor... Quando finalmente estiver livre da necessidade absurda de ser feliz e puder me encontrar no mais puro estado de humanidade, hei de... Hei de esvaziar-me para que novamente me complete nas esperanças e alegrias transbordantes, que em questão de segundos, tornam-se estopim para o início de toda dor, e novamente a tristeza e o limite, e novamente, a deliciosa angústia de Ser...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Primavera!


O que houve com o seu sorriso?
Veja menina, é época de flores.
Ainda há pouco te alegrava com folhas secas.
Não pare de dançar ao som do vento
Não carregue os dias perdidos.
Lembre-se do baile colorido
Das canções que te falam ao coração
Escute, ainda há tempo!
Será que não percebe?
Que te cabe uma vida inteira...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Não há remédio contra o Coração!


Hipócritas e queridos poetas, na sua eterna apologia à esse suposto órgão que nada tem a ver com a carne humana!
intitulam coração um pedaço vermelho sangue que pulsa e aflige em nosso peito dores inexistentes de amor.
Culpamos esse inocente órgão angústias que somente a mente humana é capaz de produzir. Somente o desespero latente, a carência, a mais obscura mazela humana é capaz de fazer brotar arte na humanidade.
E ao meu próprio coração, tento dizer-lhe, tento apascentá-lo, acalma-te! É tudo mentira dessa minha cabeça louca, não há nada que sofrer... Desobediente, ele cria bocas e braços, pulsos fortes, muitas amarras, uma voz insuportável que parece vir da mais distante galáxia e vem romper meus tímpanos, e vem possuir meu corpo, cegando meus olhos, ferindo meus instintos, teimando... Sou eu quem mando!
Totalmente fraca e quase sem vida, entrego os pontos e lhe cedo o resto da minha respiração.
Se tu me queres coração, torna-me poeta, entrego-te toda minha dor, da minha réles existência faz-me teu instrumento: martelo, espada, espinho, uma flor, tão frágil flor...
E vou ainda chorar às canções piegas, brigar nas esquinas pelo teu nome, cair em desespero à tua renuncia, ao nome Paixão, repudiarei e me agarrei como o próprio Cristo e tua Cruz.
No final das contas, coração, só te peço, não dê ouvidos à essa cabeça louca...

terça-feira, 26 de julho de 2011

Decote em V- Uma xícara de chá


Quando dei por mim, já estava com um cigarro aceso, algumas palavras nas mãos e um sorriso resignado a me escapolir.
Era aquilo, todo aquele momento, todos os sentidos, abafando a angústia descabida que até então insistira em habitar. Não era bom, por não precisar ser.
Ele saiu pela porta deixando-me um beijo na testa sem dizer adeus. Nunca dizia, estava implícito, sem formalidades. A porta aberta. Seu cheiro impregnado no travesseiro fez com que me lembrasse; éramos gente. Como ele sempre dizia, com a voz embargada, gente de pele sangue ossos...
Permiti que meu corpo se levantasse, ainda com a sensação letárgica do pós coito. Os meus pés pisando nos restos de retalhos espalhados, um inteiriço de seda branca, alfinetes, a calda do vestido branco escorregando pela cadeira. O casamento no próximo dia... Três horas sobre a máquina não me trouxeram cansaço, botões perolados, fios de prata, tão delicados...
Nua ainda, recebi minha primeira cliente, a noiva da véspera. Não havia culpados pelo constrangimento, a porta estava aberta. Sorria radiante para o seu reflexo no espelho, como só as noivas da véspera eram capazes... Invejá-la ia se fosse inclinada às promessas de eternidade, suspirei, o sorriso dela aumentava na mesma proporção que lágrima lhe escorria.
Quando finalmente, a porta fechada, nua ainda, senti nas mãos a sensação quase aflita de perda, lavei-as com sabão, deixando escorrer também as palavras confusas...
O desjejum, uma laranja doce, espremida num copo. O último gole. Tive certeza, era o fim, a laranja me disse. Tanta alegria era o fim. Gargalhei e engasguei com o suco. Nem ao menos se despediu... Nunca precisamos dessas formalidades.

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Vou dizer baixinho, para que ninguém ouça o meu grito...


Posso sussurrar em seu ouvido e você pedirá que eu repita, perderia assim toda delicadeza, não sei improvisar. Talvez deva escrever. Minha vontade mesmo era de gritar... Acordaria toda a rua, e não restaria dúvida, estou enlouquecendo. O mais prudente seria que você me olhasse diretamente nos olhos, mas aí, aí toda minha coragem ia se desbotar, como prova meu rosto rubro e voz trêmula gaguejaria – não, não há nada a dizer... - o que corrói é a certeza de não saber o depois. Depois de me dar por entregue à essa sensação persistente, certamente terei a solidão como eterna companheira. Escolho então essa aflição latejante? Posso sentir cada batida do coração como um grão de areia escorrendo pela ampulheta, antes que seja tarde, antes que... Poderia ser só ilusão! Possivelmente, como tantas outras vezes, a carência me empurrando novamente pressa samsara sedutora. Assim, nada terei a perder... Se já sei que nada ganho, nada perco, é só um acúmulo de poeira e rugas, mais uma camada morta na pele calejada. Omito-me... Nego minha covardia, covarde seria se admitisse, se fizesse disso um drama piegas. Mas ainda posso tentar me entregar ao momento e ficar aqui te observando respirar enquanto dorme, deixar que você determine nosso destino, submeto-me então aos seus desejos e caprichos, satisfaço-me com seu gozo e suspiro...

Ele se virou na cama, seu braço pousando na cintura dela.

Só não me diga que não é real! Que não sente sua pele toda capaz de desprender do corpo quando nos tocamos? Você também sente, não? Posso sentir na forma que me toca, quando me diz lindas poesias num simples bom dia!

Sem perceber, ela apertava-lhe o braço, que se desvencilhou bruscamente da sua cintura.

Não posso mais sofrer, por favor, diga que é especial, prometo não falar de planos nem de futuro, diga apenas uma vez que me am...

Ele acordou, sorriu-lhe, com as pontas dos dedos, acariciou-lhe o rosto, com o polegar apertou-lhe suavemente os lábios.

Diga, por favor diga...

- Te vejo amanhã? Deve ser tarde, ainda preciso trabalhar.

Amanhã, te vejo amanhã e todos os dias de nossas vidas! Preferiria que não fosse...

- Ok... Deixe a porta encostada, por favor.

Ele se levantou e se vestiu rapidamente, antes de deixar o quarto, fez menção de voltar... Mas ela já havia se virado, de costas pra ele. Esqueceu-se de encostar a porta... Também se esqueceria de voltar no dia seguinte.

sábado, 9 de julho de 2011

Dentro



Hipnose sob a contemplação da única imagem
O excesso de cores que se mesclam e se confundem
Com a cor branca dos olhos e a esfera preta vislumbra
Vermelhos são os olhos na imagem invertida tão séria e reta
Um reflexo irreconhecível sob a superfície gelada
Do outro lado do espelho a chama não queima
Seduz e engana através do vidro delator
Tão frágil quanto as formas sem tempo
Inexiste sob o efêmero presente
Consente à dinâmica dos traços
Irresistível pseudo liberdade