sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Não há remédio contra o Coração!


Hipócritas e queridos poetas, na sua eterna apologia à esse suposto órgão que nada tem a ver com a carne humana!
intitulam coração um pedaço vermelho sangue que pulsa e aflige em nosso peito dores inexistentes de amor.
Culpamos esse inocente órgão angústias que somente a mente humana é capaz de produzir. Somente o desespero latente, a carência, a mais obscura mazela humana é capaz de fazer brotar arte na humanidade.
E ao meu próprio coração, tento dizer-lhe, tento apascentá-lo, acalma-te! É tudo mentira dessa minha cabeça louca, não há nada que sofrer... Desobediente, ele cria bocas e braços, pulsos fortes, muitas amarras, uma voz insuportável que parece vir da mais distante galáxia e vem romper meus tímpanos, e vem possuir meu corpo, cegando meus olhos, ferindo meus instintos, teimando... Sou eu quem mando!
Totalmente fraca e quase sem vida, entrego os pontos e lhe cedo o resto da minha respiração.
Se tu me queres coração, torna-me poeta, entrego-te toda minha dor, da minha réles existência faz-me teu instrumento: martelo, espada, espinho, uma flor, tão frágil flor...
E vou ainda chorar às canções piegas, brigar nas esquinas pelo teu nome, cair em desespero à tua renuncia, ao nome Paixão, repudiarei e me agarrei como o próprio Cristo e tua Cruz.
No final das contas, coração, só te peço, não dê ouvidos à essa cabeça louca...

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