quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Ninfa

Ela vem brincar na lua
A carne solta e nua
Vem dançar sem medo
Vem lembrar-se do segredo
Da velha ciranda da infância
Como é bom correr sem rumo
nas estrelas criar seu mundo
desembraçar com os dedos o vento
os cabelos soltos pelo firmamento
vem bagunçar os astros
espalhar todos os brinquedos
brincando melodias e cores
no jardim das eternas flores.

sábado, 26 de novembro de 2011

Espasmo Hermético I


Entidade lunar vagueia no céu, no coração, na palma da mão está o seu sentido tão esquecido que não acompanha a espera e todas as vidas que não se completam na mancha escura da rua deserta.
Caminha sozinha silencio enobrece o outro ouvido, tão quieto e surda não vê o pensamento desconexo. Cai na tentativa de não ver e cospe todo o resto na tentativa de não ser. Caindo, anulando, esperando mais um dia tão comprido que não finda com as horas mais um espasmo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Destino



Era uma sexta-feira e a lua estava cheia. Ventava e ela tinha aquela sensação rara de prenúncio como se o coração estivesse exposto para fora do peito e o vento arrepiava-lhe as frágeis veias.
O dia a acordara com um sonho sem imagens, restando, insistentemente, uma sensação de mística que a perseguia até então.
Mais uma sexta feira em que saía para beber e dançar, tentando dessa forma resgatar através do samba e do álcool a quentura no corpo que lhe lembrava o quão viva estava.
Deparou-se logo no começo da noite com um par de olhos azuis acinzentados compostos de uma cabeleira loura e o nome que ele lhe disse, nome de santo, pensou, e em seguida esqueceu-se que nome era.
Enquanto ele falava, suas palavras eram confundidas com o som da sua própria memória, que regressava aos nove anos de idade, num momento nítido e estranhamente semelhante a um sonho, onde seu futuro fora confabulado por uma amiga da família através de suas mãos. A amiga, mulher morena e misteriosa, grande, com trejeitos masculinos, lia a mão da mãe e das outras amigas, pensou que talvez a mulher fosse uma bruxa, e perdeu naquele instante o medo das mesmas, pedindo que ela visse o seu futuro também. A mulher bruxa decretou que seu futuro amoroso seria composto de um gentil cavalheiro loiro de olhos claros.
Depois da adolescência, dos livros, da desilusão e da filosofia, as palavras; romance, príncipe encantado e destino perderam totalmente o valor da infância, no lugar o desprezo e o escárnio.
As palavras e a música desintegraram-se no beijo repentino, e o coração, que ainda exposto e sensível, encontrava-se agora espremido entre os dois corpos, pulsando quente e vivo, trazendo-lhe mais fortemente a certeza de estar viva. Sentiu um breve medo que o coração estourasse ali de tão comprimido, e apartou com as mãos os lábios e os corpos. A voz saiu rouca e mole quando disse:
- Veja a lua!
Os corpos imantados atraíam-se incontrolavelmente, e os olhos azuis perfuravam seus próprios, corrompendo a razão. Em menos de um segundo os corpos se colavam novamente e já não se lembrava que o coração sofria um grave risco.
Entregou-lhe sem hesitar o coração, como se ofertasse à bruxa que acertara seu destino, como forma de agradecimento.
Os corpos encontravam-se intensamente magnetizados, já incapazes de se repelirem, exceto através de uma grande explosão
Ela apreciava o que via, enquanto ele, lascivamente , devorava o seu coração, lambuzando e benzendo com o sangue os sexos entregues à lua, ao destino e à bruxa

sexta-feira, 30 de setembro de 2011

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Não ha maior ego do que o daquele que se julga acima dos outros por ter domado o ego. Ao dominar o ego, ao buscar a trascendência e negar o mundo, ele comete o maior EGO de todos: Achar que não tem ego, e que está além do mundo em que vive
(Osho)

domingo, 21 de agosto de 2011

Se me permite a tristeza...


Se me permite um breve momento em que possa chorar sem culpa pelas mazelas mal resolvidas.
Quando todos os sorrisos parecem ferir, qualquer pedaço de alegria parece não ter o menor sentido, a respiração é um sôfrego suspiro que tenta suspender eternamente a respiração.
Se é que posso desejar não ser por um instante apenas... Que esse instante parece infinito e obscurece a menor e frágil centelha de luz.
Quando eu puder mergulhar sem reprimendas nessa angustia intensa que me expõe todos os demônios até então acomodados no submundo da alma. Vejo-os olho no olho e permito que me encham de medo e suguem toda esperança.
Quando eu finalmente puder chegar no limite do sofrimento, encontrar-me suspensa por um fio capaz de acabar com essa única dor... Quando finalmente estiver livre da necessidade absurda de ser feliz e puder me encontrar no mais puro estado de humanidade, hei de... Hei de esvaziar-me para que novamente me complete nas esperanças e alegrias transbordantes, que em questão de segundos, tornam-se estopim para o início de toda dor, e novamente a tristeza e o limite, e novamente, a deliciosa angústia de Ser...

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Primavera!


O que houve com o seu sorriso?
Veja menina, é época de flores.
Ainda há pouco te alegrava com folhas secas.
Não pare de dançar ao som do vento
Não carregue os dias perdidos.
Lembre-se do baile colorido
Das canções que te falam ao coração
Escute, ainda há tempo!
Será que não percebe?
Que te cabe uma vida inteira...

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Não há remédio contra o Coração!


Hipócritas e queridos poetas, na sua eterna apologia à esse suposto órgão que nada tem a ver com a carne humana!
intitulam coração um pedaço vermelho sangue que pulsa e aflige em nosso peito dores inexistentes de amor.
Culpamos esse inocente órgão angústias que somente a mente humana é capaz de produzir. Somente o desespero latente, a carência, a mais obscura mazela humana é capaz de fazer brotar arte na humanidade.
E ao meu próprio coração, tento dizer-lhe, tento apascentá-lo, acalma-te! É tudo mentira dessa minha cabeça louca, não há nada que sofrer... Desobediente, ele cria bocas e braços, pulsos fortes, muitas amarras, uma voz insuportável que parece vir da mais distante galáxia e vem romper meus tímpanos, e vem possuir meu corpo, cegando meus olhos, ferindo meus instintos, teimando... Sou eu quem mando!
Totalmente fraca e quase sem vida, entrego os pontos e lhe cedo o resto da minha respiração.
Se tu me queres coração, torna-me poeta, entrego-te toda minha dor, da minha réles existência faz-me teu instrumento: martelo, espada, espinho, uma flor, tão frágil flor...
E vou ainda chorar às canções piegas, brigar nas esquinas pelo teu nome, cair em desespero à tua renuncia, ao nome Paixão, repudiarei e me agarrei como o próprio Cristo e tua Cruz.
No final das contas, coração, só te peço, não dê ouvidos à essa cabeça louca...