segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Desvio

Não sei rimar
Mimar,
Entrar,
Na cabeça as palavras
Estruturadas
Consadas
De tentar

Manter em ordem
o verbo
Abstrato
Saturado
De estar certo
E limitado

Impor
a única forma de fazer sentido
sonoro
imploro
a escolha
nãoengolir comprimido

domingo, 17 de janeiro de 2010

Carnal

Que me devore.
Ai! Que me afundo em ti
E não retorno
Altera-me, tira-me a paz.
- Tira minha paz!
O que faço com essa espera horas?
O que faço com essa vontade do seu?
Suplico, me entrego:
- Vem logo!
Que me perco,
Consumo-te
Acabo-me realizada
Insana, espero
E você engole
Todo o resto de esperança
Sbae o que faz, manipula-me
- Manipula-me!
Quer-me louca
Sem pensar
Não me toca
Tortura-me com esses olhos
Guloso me come
- Me come!
E se vem as mãos
Esqueço-me
É só você
Eu dentro de você
Te como
Te respiro
Perco o sentido
A eternidade do momento
Que não é tempo
Todo resto é tédio
Não posso nem te dizer
Quando estou contigo
Calo.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

Grito?

Um grito estridente que vem do âmago
Crescente quer romper os tímpanos
Perfurar as gargantas herméticas
Os lábios parados mover
Quer preencher todo espaço escuro
Com sua luz escandalosa
Arregaçar a ferida ainda aberta.
O grito camuflado pelas palavras
Quer dizer o que não se fala.
Com a potencia de um dragão
O grito
Que vai calando antes de...
Derretido pelas lágrimas silenciosas.

domingo, 3 de janeiro de 2010

Ao estranho de nome conhecido.

Tantas mãos e uma falta assim feito buraco fundo que me engole de volta aos olhos verdes cheios de infinito. O suor da pele vem se misturar ao cheiro que ficou na memória tanto suor e o sexo rijo que se confunde com o olhar fixo que diz as palavras esquecidas pela mente interrompidas na garganta.
Um estranho velho conhecido que queria esmagar com caricias a carne lânguida entregue a tantos dedos que queriam e entravam sem pressa sem hesitação nos cantos de prazer eterno e eternizavam não só o prazer, mas as verdades do prazer. E arrasta sem culpa numa ausência de olhos pretos que se confundem aos outros olhos e se cansam de olhar pra dentro e vem buscar cá fora num corpo desprovido de abstrato repleto de vontades de se afundar em tantos olhos que não dizem, não sentem, engolem aos poucos tanta sensação do infinito.
Ao estranho P que não é um nome, não é uma palavra de tão abstrato é um momento que eterniza na memória que sente ausência de tanta presença.

Palavra

Quando a boca treme, os lábios balbuciam a palavra que não vem. Palavra interrompida na mente, não permitida pelo medo da negação interna... Eterna negação.
Auto negligencia.
Como tumor corrosivo, feito ferrugem alaranjada, a palavra cresce, obstrui nobres sentimentos e destrói aos poucos um resto sentido de esperança.
A palavra negra.
Colorida
Transparente, tão nublada.
A palavra rouca que é só um cochicho.
A palavra que não é palavra é um estado sem definição.
Que escapole amor.
Amor que escapole entre tantas palavras que não é amor.
E seria amor? A palavra?

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Muro

Muro

tive um estranho encontro
com um pedaço de muro
me dizia ser um outro
que tão abstrato se fez duro

um pedaço frio que não fazia
juz ao nome, não protegia
do lado de lá conseguia ver
a sobra que não pude conhecer

também estranho era o resto
que consciente ignorei
com medo do que é oculto
atrás do muro etanquei.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Do sentir

Ah!, que não resisto e me entrego lânguida a necessidade que me toma de provar todos os gostos das gentes, da cidade asfalto, crianças e cachorros, rostos pretos, gotas de suor, roupa colorida.
E com todos, tantos dedos, todos os membros dedos necessários, utensílios de sentir mais umas sensações desconhecidas que me extasiam, derretendo minha mente deixando apenas o gosto agridoce do sentir.
Lambendo os pelos e as peles, sentindo no dente a textura da carne....
Dentro, nos olhos, a imagem da chuva que cai derretida, as nuvens se movendo com quem brinca de ciranda,os galhos, tantos galhos e folhas dançando com a música do vento...
Inicia dentro, no coração, a sensação do infinito!