domingo, 24 de janeiro de 2010

Nostalgiamarga

Palavras fugitivas em momento de solidão e vácuo abstrato.
Procuro encontrar nestas intermináveis horas um pouco de compreensão no artifício sólido que contêm a minha’lma. Mas não encontro e vejo na angustia dos dias contados numa falha mínima o resto da razão específica... Mantenho como água pura aquele sentimento imaculado, inalterado que espero encontrar nos sentidos vividos ingeridos... Procuro e a procura nunca basta. Nunca encontro. No lugar, um buraco grande e negro onde as idéias se escondem. Habita lá o resto de desespero reprimido que abafa todo resto de sentimento lânguido estrábico.
Paro e concluo. Minhas horas meus dias. A inexistência preferível..
O tudo a mercê de uma era despencada.
E naquele momento, em que um lapso da verdade omite a ilusão e tudo o que faz é tornar cinzento aquele resto de saudade escondida no espasmo do tempo.
Aspiro então.
Como quem não quer, a verdade do ser e não existir. Comprimo e não me componho naquele estado de incoerência explícita em que a alma se choca, busca e não percebe... É só um estado. Nunca constância.
A mutação contínua das coisas e cores abstrai tudo ao redor e deixa apenas uma alternativa impensável, impossível, o fim.
Como se fosse um singelo começo, o fim se manifesta e começa o que seria o seu ciclo perfeito. Sem paradoxos, sem complexos, apenas finda. O sentido das palavras descabidas torna-se falta, não só do que conteria, mas como poderia? Acima de tudo, permanecia. Aguardava o fim que corromperia as boas intenções e nesse espaço, apenas a expectativa. A inutilização de todas as idéias e estruturas. A espera. Há a espera. Como se não houvesse...
E há então naquele pedaço o exílio da imaginação contida reprimida, mas permaneço e concluo na inutilidade da sofridão inoportuna o que ainda restou da esperança voraz...
E aquele momento que parecia eterno era apenas uma ilusão carregada de tudo que não vimos, apenas sentimos...
E quando a garganta hesita no expressar da expressão fragmentada do invisível. A garganta apenas quer dizer, mas hesita uma eternidade de compreensão. Obtenho então, através de goles de nostalgiamarga,a aquele velho cheiro das coisas inabitadas de sentimentos, mas abarrotadas de outras coisas. Apenas coisas, mas é o que são e é impossível se desfazer delas! Mas tento com as migalhas que sobraram, pegar no vácuo dos sentidos inabitados, o resto de luz. Para apagar esse apego descabido.
Apago-me.

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