Principiou a escrever com a mão trêmula as palavras que vinham descompostas, talvez desprovidas de razão. Enxergava as palavras nubladas pelas lágrimas que iam borrando a tinta da caneta sobre o papel. Após escrever interruptamente durante um quarto de hora, descansou a mão sobre a boca, cerrando, como se fizesse calar.
Os olhos inchados - a vista ainda turva começou a caminhar sobre as letras que se compunham em palavras, tantas palavras engolidas sem mastigar.
Cada letra soava como um soluço abafado. Enquanto lia, a dor que outrora sentia esvaziava aquele barulho que lhe roubava a nitidez dos pensamentos.
Continuou lendo, esvaziando, esvaziando, até a última frase. Sentiu no oco que se fizera, uma bambeza na cabeça, no coração um vácuo desconhecido.
A vista, agora tonta e cansada, não podia mais ler, rejeitava aquelas palavras explícitas que lhe roubava a ruidosa inflamação de emoções.
Num impulso, fez do papel traiçoeiro um milhão de pedacinhos, as palavras agora, pedaços de letras, restos fragmentados. Na esperança de retornar ao impulso, ingeriu cada pedaço do papel salgado de lágrimas, que desmanchavam muito lentamente na boca, tingindo a língua e os dentes. Devorá-los-ia, até que não restasse um pingo, até que sofresse a overdose verbal.
sexta-feira, 26 de março de 2010
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
Subterfúgios
Com umas necessidades transgressoras.
Derreter as paredes as gaiola de vidro com o fogo dos olhos.
Rasgar com os dentes e unhas a moral enrugada.
Interromper com o grito estridente os murmúrios lamentos e culpa da consciência.
Necessidade.
De atingir o outro que me habita intruso
E agredir
A carne pobre,
tão fresca e podre.
Findar de uma vez com as estruturas destrutíveis
Com restante, o essencial, reconstruir abstratos da verdade.
Derreter as paredes as gaiola de vidro com o fogo dos olhos.
Rasgar com os dentes e unhas a moral enrugada.
Interromper com o grito estridente os murmúrios lamentos e culpa da consciência.
Necessidade.
De atingir o outro que me habita intruso
E agredir
A carne pobre,
tão fresca e podre.
Findar de uma vez com as estruturas destrutíveis
Com restante, o essencial, reconstruir abstratos da verdade.
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Fricção
sexta-feira, 29 de janeiro de 2010
Duo
Como um ser duplo
Como ser bilateral
bipolar
bicêntrico
bissexual
Divisão da unidade
Única divisão
Ser ambíguo
é ser imparcial
e ser imparcial
Dois lados
Em cima do muro
De um muro
Uma cabeça para Uma mãe
O corpo resto para Outra.
Como ser bilateral
bipolar
bicêntrico
bissexual
Divisão da unidade
Única divisão
Ser ambíguo
é ser imparcial
e ser imparcial
Dois lados
Em cima do muro
De um muro
Uma cabeça para Uma mãe
O corpo resto para Outra.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
domingo, 24 de janeiro de 2010
Nostalgiamarga
Palavras fugitivas em momento de solidão e vácuo abstrato.
Procuro encontrar nestas intermináveis horas um pouco de compreensão no artifício sólido que contêm a minha’lma. Mas não encontro e vejo na angustia dos dias contados numa falha mínima o resto da razão específica... Mantenho como água pura aquele sentimento imaculado, inalterado que espero encontrar nos sentidos vividos ingeridos... Procuro e a procura nunca basta. Nunca encontro. No lugar, um buraco grande e negro onde as idéias se escondem. Habita lá o resto de desespero reprimido que abafa todo resto de sentimento lânguido estrábico.
Paro e concluo. Minhas horas meus dias. A inexistência preferível..
O tudo a mercê de uma era despencada.
E naquele momento, em que um lapso da verdade omite a ilusão e tudo o que faz é tornar cinzento aquele resto de saudade escondida no espasmo do tempo.
Aspiro então.
Como quem não quer, a verdade do ser e não existir. Comprimo e não me componho naquele estado de incoerência explícita em que a alma se choca, busca e não percebe... É só um estado. Nunca constância.
A mutação contínua das coisas e cores abstrai tudo ao redor e deixa apenas uma alternativa impensável, impossível, o fim.
Como se fosse um singelo começo, o fim se manifesta e começa o que seria o seu ciclo perfeito. Sem paradoxos, sem complexos, apenas finda. O sentido das palavras descabidas torna-se falta, não só do que conteria, mas como poderia? Acima de tudo, permanecia. Aguardava o fim que corromperia as boas intenções e nesse espaço, apenas a expectativa. A inutilização de todas as idéias e estruturas. A espera. Há a espera. Como se não houvesse...
E há então naquele pedaço o exílio da imaginação contida reprimida, mas permaneço e concluo na inutilidade da sofridão inoportuna o que ainda restou da esperança voraz...
E aquele momento que parecia eterno era apenas uma ilusão carregada de tudo que não vimos, apenas sentimos...
E quando a garganta hesita no expressar da expressão fragmentada do invisível. A garganta apenas quer dizer, mas hesita uma eternidade de compreensão. Obtenho então, através de goles de nostalgiamarga,a aquele velho cheiro das coisas inabitadas de sentimentos, mas abarrotadas de outras coisas. Apenas coisas, mas é o que são e é impossível se desfazer delas! Mas tento com as migalhas que sobraram, pegar no vácuo dos sentidos inabitados, o resto de luz. Para apagar esse apego descabido.
Apago-me.
Procuro encontrar nestas intermináveis horas um pouco de compreensão no artifício sólido que contêm a minha’lma. Mas não encontro e vejo na angustia dos dias contados numa falha mínima o resto da razão específica... Mantenho como água pura aquele sentimento imaculado, inalterado que espero encontrar nos sentidos vividos ingeridos... Procuro e a procura nunca basta. Nunca encontro. No lugar, um buraco grande e negro onde as idéias se escondem. Habita lá o resto de desespero reprimido que abafa todo resto de sentimento lânguido estrábico.
Paro e concluo. Minhas horas meus dias. A inexistência preferível..
O tudo a mercê de uma era despencada.
E naquele momento, em que um lapso da verdade omite a ilusão e tudo o que faz é tornar cinzento aquele resto de saudade escondida no espasmo do tempo.
Aspiro então.
Como quem não quer, a verdade do ser e não existir. Comprimo e não me componho naquele estado de incoerência explícita em que a alma se choca, busca e não percebe... É só um estado. Nunca constância.
A mutação contínua das coisas e cores abstrai tudo ao redor e deixa apenas uma alternativa impensável, impossível, o fim.
Como se fosse um singelo começo, o fim se manifesta e começa o que seria o seu ciclo perfeito. Sem paradoxos, sem complexos, apenas finda. O sentido das palavras descabidas torna-se falta, não só do que conteria, mas como poderia? Acima de tudo, permanecia. Aguardava o fim que corromperia as boas intenções e nesse espaço, apenas a expectativa. A inutilização de todas as idéias e estruturas. A espera. Há a espera. Como se não houvesse...
E há então naquele pedaço o exílio da imaginação contida reprimida, mas permaneço e concluo na inutilidade da sofridão inoportuna o que ainda restou da esperança voraz...
E aquele momento que parecia eterno era apenas uma ilusão carregada de tudo que não vimos, apenas sentimos...
E quando a garganta hesita no expressar da expressão fragmentada do invisível. A garganta apenas quer dizer, mas hesita uma eternidade de compreensão. Obtenho então, através de goles de nostalgiamarga,a aquele velho cheiro das coisas inabitadas de sentimentos, mas abarrotadas de outras coisas. Apenas coisas, mas é o que são e é impossível se desfazer delas! Mas tento com as migalhas que sobraram, pegar no vácuo dos sentidos inabitados, o resto de luz. Para apagar esse apego descabido.
Apago-me.
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
Desvio
Não sei rimar
Mimar,
Entrar,
Na cabeça as palavras
Estruturadas
Consadas
De tentar
Manter em ordem
o verbo
Abstrato
Saturado
De estar certo
E limitado
Impor
a única forma de fazer sentido
sonoro
imploro
a escolha
nãoengolir comprimido
Mimar,
Entrar,
Na cabeça as palavras
Estruturadas
Consadas
De tentar
Manter em ordem
o verbo
Abstrato
Saturado
De estar certo
E limitado
Impor
a única forma de fazer sentido
sonoro
imploro
a escolha
nãoengolir comprimido
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