Usava um chapéu pra manter na cabeça as idéias quentes
Sobre a lapela uma rosa vermelha evidenciando sua delicadeza
Olhava para o bicho e para a planta como quem vê o eterno
E para as gentes, olhava com paixão e lágrima transbordada
Escrevia nas paredes, nos braços e nas nuvens
Com o dedo, com a boca e com sangue extraído direto da alma
Escrevia palavras e abraços, escrevia um sorriso banguela
Inspirava-se na carência, no odor da mazela humana
E ainda acreditava na flor do estrume
Acreditava na incerteza, no acaso e na sabedoria do louco
Distribuía seu tesouro gratuitamente, crendo, despretensioso
Na verdade livre de uma emoção desperta
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